A chefe de gabinete da Presidência da Associação Comercial da Bahia (ACB), Beatriz Farias, esteve entre os representantes de países em desenvolvimento convidados para participar do Seminar on Poverty Reduction of Small and Medium Enterprises and NGOs for Officials in Developing Countries, realizado na China. Representando a ACB, a jovem executiva baiana integra uma delegação internacional que reúne lideranças de diferentes países em uma programação voltada ao intercâmbio de experiências sobre empreendedorismo, fortalecimento das pequenas e médias empresas e estratégias de desenvolvimento econômico.
Promovido pelo Ministério do Comércio da República Popular da China e organizado pelo Centro Internacional de Redução da Pobreza na China (IPRCC), o seminário acontece nas cidades de Pequim, Guilin, Foshan, Zhaoqing e Hezhou. Ao longo da programação, os participantes acompanham aulas, debates, visitas técnicas e encontros institucionais que apresentam iniciativas adotadas pelo país asiático para estimular o crescimento econômico, reduzir desigualdades e fortalecer o ambiente de negócios.
O encontro parte de um tema que desperta interesse internacional. Em 2021, a China anunciou ter erradicado a pobreza extrema segundo seus critérios nacionais e, desde então, passou a compartilhar parte das políticas públicas implementadas ao longo desse processo, especialmente aquelas voltadas ao fortalecimento das micro, pequenas e médias empresas como instrumento de geração de emprego, renda e desenvolvimento regional.
Para Beatriz Farias, um dos aspectos que mais chamam atenção é a forma como o empreendedor é inserido nas estratégias de crescimento econômico.
“O principal diferencial que observo é a forma como a empresa é enxergada. O pequeno não é tratado como alguém que precisa permanecer pequeno; ele é incentivado a crescer porque se entende que o crescimento de um negócio gera emprego, renda e riqueza para toda a população.”

Durante as atividades, a delegação também conheceu como as políticas de apoio ao empreendedorismo são estruturadas a partir das características de cada empresa. Aspectos como setor de atuação, faturamento, número de empregados, localização e estágio de desenvolvimento são considerados para direcionar incentivos relacionados a crédito, inovação, qualificação profissional, infraestrutura e acesso a mercados.
As visitas técnicas realizadas na cidade de Guilin ofereceram uma visão prática dessa estratégia. Em uma plantação de chá, os participantes acompanharam toda a cadeia produtiva, desde o cultivo até a comercialização e a experiência turística oferecida aos visitantes. O modelo integra agricultura, cultura, turismo e serviços, agregando valor à produção local e estimulando o desenvolvimento econômico da região.
Segundo Beatriz, embora Brasil e China possuam contextos institucionais distintos, algumas experiências observadas podem contribuir para ampliar o debate sobre políticas públicas voltadas ao empreendedorismo.
“Brasil e China têm realidades institucionais, econômicas e sociais distintas. Como uma democracia federativa, o Brasil possui processos decisórios e dinâmicas próprias, por isso não se trata de copiar modelos. O mais importante é observar experiências que funcionam e refletir sobre o que pode inspirar políticas melhores para a nossa realidade. Um ponto que chama atenção é a continuidade dos projetos e o planejamento de longo prazo.”
Ao representar a Associação Comercial da Bahia em uma das principais iniciativas internacionais de intercâmbio sobre desenvolvimento econômico, Beatriz Farias leva a experiência de uma das instituições empresariais mais tradicionais do Brasil para um ambiente de cooperação global e retorna à Bahia com referências que podem contribuir para ampliar as discussões sobre empreendedorismo, inovação, desenvolvimento regional e fortalecimento das pequenas e médias empresas.
Crédito: Ariele Lima

