A relação histórica de Salvador com o mar ganha um novo impulso em 2026. Responsável por cerca de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da capital, a Economia do Mar passa a contar com um calendário integrado de eventos lançado pela Prefeitura, reunindo competições esportivas, feiras, encontros técnicos e iniciativas voltadas ao turismo náutico e à inovação ao longo do ano.
A iniciativa é coordenada pela Secretaria Especial do Mar (Semar) e busca fortalecer um dos segmentos que mais crescem na economia da cidade. A proposta é transformar a programação em um instrumento permanente de promoção da atividade náutica, estimulando investimentos, ampliando a movimentação turística e conectando diferentes setores ligados ao uso sustentável da Baía de Todos-os-Santos.
A agenda começa já neste mês com o Festival Maria Felipa, que será realizado no próximo dia 11, na Marina da Penha, na Ribeira. A programação reúne palestras sobre turismo e náutica, além de uma feira dedicada ao artesanato local, valorizando a economia criativa e a produção de empreendedores da cidade.
Entre os dias 23 e 26 de julho, Salvador recebe a quinta edição do Barco Show, no Terminal Náutico da Bahia. O evento, considerado um dos principais do setor náutico no Nordeste, combina exposição de embarcações, lançamentos, rodadas de negócios e atrações abertas ao público. Segundo o organizador Hugo Leonardo Assis, cada edição movimenta aproximadamente R$ 20 milhões e gera mais de 300 empregos temporários.
Em setembro, será a vez do Fórum Náutico Internacional, promovido pela Associação Náutica da Bahia, reunir representantes do setor público, empresários, especialistas e instituições para discutir estratégias voltadas ao desenvolvimento da Economia do Mar e ao fortalecimento da atividade náutica no estado.
De acordo com a secretária especial do Mar, Maria Eduarda Lomanto, Salvador reúne condições naturais que favorecem o crescimento desse segmento econômico.
“Hoje, esse segmento representa cerca de 2,8% do PIB da cidade, ocupando a quarta posição na matriz econômica e sendo impulsionado pela atividade portuária, pelas regatas e pelo avanço do setor de charters (mercado de aluguel de embarcações), já bastante desenvolvido na Europa. Esse movimento impulsiona o turismo e beneficia setores como gastronomia e hotelaria.”
Para o diretor do Worldwatch Institute (WWI) Brasil e integrante da Comissão de Economia do Mar da Associação Comercial da Bahia, Eduardo Athayde, a geografia de Salvador reforça esse potencial. Dos 693 km² do território municipal, aproximadamente 350 km² correspondem às águas da Baía de Todos-os-Santos, onde estão registrados cerca de 25 mil barcos junto à Capitania dos Portos da Bahia.
Com uma agenda distribuída ao longo do ano, Salvador busca consolidar sua posição como um dos principais polos da Economia do Mar no país, utilizando o potencial da Baía de Todos-os-Santos para estimular negócios, turismo, esportes náuticos e desenvolvimento econômico sustentável.

