O Museu do Mar Aleixo Belov recebe, no próximo dia 16 de abril, um encontro que conecta ciência, clima e decisões que já impactam a vida no litoral brasileiro. A palestra “Avaliações Integradas de Ecossistemas do Atlântico Sul: lições aprendidas durante o Mission Atlantic” traz a Salvador parte de um esforço internacional que vem redesenhando a forma como se analisa a saúde dos oceanos, cruzando dados ambientais, pressões econômicas e dinâmicas sociais para entender o que está em jogo no Atlântico.
O debate integra as ações do Mission Atlantic, consórcio financiado pelo programa europeu Horizonte 2020, que tem como foco o desenvolvimento de Avaliações Integradas de Ecossistemas em diferentes regiões do Oceano Atlântico. A proposta é ampliar a compreensão sobre os impactos ambientais, climáticos e econômicos que afetam o oceano, oferecendo subsídios para políticas públicas e estratégias ligadas à chamada economia azul.
Durante o encontro, o público terá acesso a análises construídas a partir de estudos de caso no Atlântico Sul, incluindo a plataforma continental do sul do Brasil e a dorsal mesoatlântica, em um recorte que se estende do Arquipélago de São Pedro e São Paulo até a Ilha de Santa Helena. A abordagem combina ciência de dados, modelagem climática e observação de longo prazo para mapear riscos e identificar caminhos possíveis para a conservação marinha.
Entre os nomes confirmados está a professora Mary Gasalla, do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo, que coordena o Mission Atlantic no Brasil e acumula mais de três décadas de atuação em pesquisa oceânica, com foco em mudanças climáticas, modelagem de ecossistemas e interação com comunidades costeiras. Também participam o pesquisador Ricardo Coutinho e o planctologista Lohengrin Fernandes, ambos vinculados ao Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, instituição de referência ligada à Marinha do Brasil.
A iniciativa reflete um esforço colaborativo que envolve países como Brasil, África do Sul, Estados Unidos, Canadá e nações da União Europeia, integrando ciência, tecnologia e cooperação internacional. Com o uso de ferramentas como inteligência artificial e análise de grandes volumes de dados, o projeto busca antecipar cenários e orientar decisões que impactam diretamente a preservação dos ecossistemas marinhos.
Ao longo da programação, o público acompanha leituras construídas a partir de diferentes pontos do Atlântico Sul, com recortes que vão da costa brasileira à dorsal mesoatlântica. São análises que ajudam a traduzir fenômenos complexos em cenários mais concretos, indicando riscos, limites e possibilidades para o uso sustentável do oceano em um contexto de mudanças cada vez mais rápidas.