A praia pode parecer limpa, mas será que está própria para banho?

Quem costuma frequentar as praias do litoral baiano possivelmente já ouviu falar sobre os boletins que classificam os locais como próprios ou impróprios para banho. Mas como essa definição é feita? Quais critérios são utilizados? E por que uma praia pode estar adequada para banho em uma semana e apresentar restrições na seguinte?

O monitoramento da balneabilidade realizado no litoral baiano é uma ação contínua do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), voltada à avaliação da qualidade das águas destinadas ao banho de mar e outras atividades de recreação de contato primário. O trabalho, desenvolvido pela Coordenação de Monitoramento (Comon), busca informar a população sobre as condições das praias por meio de análises técnicas realizadas semanalmente.

Atualmente, o programa acompanha 147 pontos em todo o estado, sendo 38 localizados em Salvador. As amostras são coletadas semanalmente em locais previamente definidos ao longo da costa e encaminhadas para análises laboratoriais que avaliam indicadores microbiológicos relacionados à qualidade da água.

As coletas e análises seguem procedimentos técnicos previstos na legislação ambiental brasileira. Depois da etapa de campo, as amostras passam por processamento laboratorial e validação técnica antes da divulgação oficial dos resultados, realizada às sextas-feiras no site do Inema e também no aplicativo “Vai Dar Praia”, disponível para Android e iOS.

O que é analisado na água?

Um dos principais parâmetros utilizados no monitoramento é a bactéria Escherichia coli (E. coli), considerada um indicador microbiológico de contaminação fecal recente. A presença dessa bactéria na água pode estar relacionada, por exemplo, ao lançamento irregular de esgoto ou ao carreamento de resíduos pelas águas da chuva.

A avaliação segue os critérios estabelecidos pela Resolução nº 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), norma federal que define como deve ser feita a classificação das águas destinadas ao banho em praias, rios e outros locais utilizados para recreação.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a condição de uma praia não é definida a partir de uma única coleta. A legislação determina que a classificação seja baseada em um conjunto de análises realizadas durante cinco semanas consecutivas no mesmo ponto de monitoramento. O objetivo é evitar que alterações pontuais influenciem isoladamente o resultado final.

“Quando os parâmetros microbiológicos atendem aos limites estabelecidos pela legislação, as praias são consideradas próprias para banho. Já a condição imprópria é atribuída quando os resultados ultrapassam os limites permitidos ou quando são identificadas situações que possam representar risco à saúde da população”, explica a especialista em Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Inema, Greice Ximena.

O que faz uma praia ser considerada imprópria?

Além dos índices microbiológicos, a resolução do Conama prevê outras situações que podem levar uma praia a ser classificada como imprópria para banho. Entre elas estão a presença de esgoto aparente, resíduos sólidos, óleos, florações de algas e outras formas de contaminação que possam oferecer risco à saúde ou comprometer as condições de recreação.

As chuvas também podem influenciar temporariamente a qualidade da água. Isso acontece porque o aumento do escoamento pelas redes de drenagem urbana pode carregar resíduos e contaminantes para o mar, alterando os parâmetros analisados nas coletas.

Segundo a especialista, a própria resolução prevê que fatores ambientais relevantes, como períodos chuvosos, sejam considerados na interpretação e divulgação dos resultados do monitoramento.

Por que praias próximas podem ter resultados diferentes?

Outro ponto que costuma gerar dúvidas é o fato de praias localizadas na mesma região apresentarem classificações diferentes em um mesmo boletim.

Isso acontece porque cada ponto monitorado possui características ambientais próprias. Aspectos como circulação da água, drenagem urbana, ocupação do entorno e influência de canais ou redes de escoamento podem interferir diretamente na qualidade da água de cada trecho.

No bairro da Barra, em Salvador, por exemplo, são monitorados quatro locais distintos: dois trechos da Praia do Farol da Barra, além da Praia do Porto da Barra e da Praia do Forte de Santa Maria. Mesmo próximas umas das outras, essas áreas podem apresentar resultados diferentes devido às características específicas de cada ponto.

Outro aspecto previsto pela legislação é que as coletas sejam realizadas, preferencialmente, em locais com maior presença de banhistas e em trechos compatíveis com atividades recreativas. A medida busca garantir que o monitoramento represente as condições encontradas pela população nos pontos mais utilizados para banho.

O acompanhamento da balneabilidade possui caráter informativo e de monitoramento ambiental, permitindo que moradores e visitantes tenham acesso periódico às condições das praias da Bahia. Além do Inema, ações voltadas à redução das fontes de contaminação envolvem diferentes órgãos e instituições das administrações municipais e federais, responsáveis por áreas como saneamento, drenagem urbana, fiscalização ambiental e gestão territorial.

Foto: WorldPackers (Solar do Unhão)

Fonte: ASCOM Inema

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