Movimento Replantio reuniu 50 pessoas em Maria Guarda, em Madre de Deus, e plantou 350 mudas de mangue-vermelho; iniciativa patrocinada pela Acelen já passou pela Ilha do Paty e chega à Ilha de Maré em outubro
Em dois dias, um trecho de manguezal em frente à Escola Municipal Maria Guarda, na ilha de mesmo nome, em Madre de Deus, perdeu 490 quilos de resíduos e ganhou 350 novas mudas de mangue-vermelho. Mas a intervenção não começou com o plantio. Antes de entrar no mangue, estudantes passaram pela sala de aula para entender o ecossistema que faz parte da paisagem e da vida da própria comunidade.
As atividades, realizadas nos dias 23 e 24, reuniram 50 participantes, entre alunos do 1º ao 5º ano, funcionários da escola e monitores. A ação faz parte do Movimento Replantio, iniciativa do Projeto Recife das Pinaúnas patrocinada pela Acelen, que neste ciclo percorre três comunidades insulares da Baía de Todos-os-Santos: Maria Guarda, Paty e Maré.
Uma semana antes, no dia 16, os participantes tiveram quatro horas de conteúdo sobre fauna e flora dos manguezais, importância do ecossistema para as comunidades e problemas provocados pelo descarte inadequado de resíduos. Separação do lixo, coleta seletiva e alternativas aos descartáveis também entraram na conversa.
Depois veio a prática. Foram seis horas dentro da área de recuperação, combinando limpeza e plantio.
A estratégia é fazer com que a ação continue depois que a equipe do projeto deixa a ilha. “Nosso propósito é formar agentes multiplicadores, para que o conhecimento sobre o manguezal e as formas de protegê-lo continue circulando e sendo aplicado pelas próprias comunidades”, explica Deusdélia Andrade, educadora ambiental e coordenadora do Projeto Recife das Pinaúnas.
700 mudas já plantadas na BTS
Maria Guarda é a segunda comunidade contemplada pelo ciclo. Antes dela, o Movimento Replantio esteve na Ilha do Paty, em São Francisco do Conde, onde mobilizou 35 pessoas ligadas à Escola Municipal São Roque e à comunidade.
Por lá, foram retirados 65 quilos de resíduos e plantadas outras 350 mudas de mangue-vermelho. Com as duas etapas, o projeto chega a 700 mudas plantadas em comunidades insulares da Baía de Todos-os-Santos.

A escolha do manguezal coloca a ação em um ambiente diretamente ligado à dinâmica econômica e ambiental da BTS. Além de funcionar como habitat e área de desenvolvimento para diferentes espécies, o ecossistema está conectado ao cotidiano e ao sustento de comunidades pesqueiras e de marisqueiras.
Para João Raful, vice-presidente de Recursos Humanos e Responsabilidade Social da Acelen, envolver as escolas amplia o alcance da recuperação ambiental. “O conhecimento que chega às escolas e se transforma em prática, no mangue, tem potencial para ser multiplicado pelas comunidades”, afirma.
Próxima parada: Ilha de Maré
O ciclo continua em outubro, na Ilha de Maré, em Salvador, onde está previsto o plantio de aproximadamente 400 mudas.
Ao final das três etapas, a expectativa do projeto é alcançar cerca de 200 participantes e aproximadamente mil mudas plantadas nas três comunidades.
Imagens: Dakorô




