Recifes da Baía de Todos-os-Santos ganham reforço na restauração

A restauração dos recifes de coral da Baía de Todos-os-Santos entrou em uma nova etapa. Depois de meses de preparação e capacitação técnica, o Projeto Mares iniciou a produção das primeiras estruturas que darão suporte ao cultivo de corais nativos na APA Recife das Pinaúnas, em Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.

Ao longo dos próximos meses, serão produzidas cinco mil sementeiras, pequenas bases onde colônias de Millepora alcicornis, espécie nativa da região, serão cultivadas antes de serem fixadas definitivamente nos recifes. Paralelamente, também começaram a ser montadas 40 mesas submersas, que funcionarão como berçários marinhos durante a fase inicial de desenvolvimento dos corais.Um dos diferenciais da iniciativa está no material utilizado na fabricação dessas estruturas. Em vez de matéria-prima convencional, o projeto reaproveita resíduos provenientes da retirada de organismos bioinvasores que ameaçavam os recifes locais. Segundo a equipe científica, aproximadamente 110 quilos desse material, equivalentes a 1.163 colônias de espécies invasoras, foram removidos em três áreas da Ilha de Itaparica e passaram a integrar as novas sementeiras, transformando um passivo ambiental em ferramenta de recuperação dos ecossistemas marinhos.Para Ricardo Miranda, coordenador científico do Projeto Mares, a etapa prática representa a transição entre o aprendizado e a restauração efetiva dos recifes.

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“Os participantes deixam de estudar apenas os conceitos e passam a construir as estruturas que sustentarão o cultivo dos corais. É nesse momento que entendem como cada fase do processo influencia diretamente o sucesso da restauração.”

Além da recuperação ambiental, o projeto também investe na formação de profissionais especializados em restauração marinha. O curso técnico reúne moradores de Salvador e da Ilha de Itaparica, que participam de uma capacitação de 96 horas sobre monitoramento ambiental, manejo de recifes, mergulho científico e técnicas de cultivo de corais.Entre os participantes está a bióloga Marina Nóbrega, que vê na atividade uma oportunidade de transformar conhecimento acadêmico em ação prática.

“A paixão pelo mar sempre fez parte da minha trajetória. Ver a teoria se transformar em estruturas que, em breve, estarão contribuindo para recuperar os recifes é extremamente gratificante.”

O mergulhador Weslley Xavier destaca que a fabricação das sementeiras marca o início concreto do trabalho de restauração.

“Cada estrutura produzida representa um passo para devolver vida aos recifes. Existe um cuidado enorme em cada detalhe porque sabemos da importância desse processo.”

Realizado pela Organização Socioambientalista PRÓ-MAR, o Curso Técnico de Restauração de Corais integra o Projeto Mares, desenvolvido em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A capacitação segue até agosto, quando os participantes concluirão as atividades de campo e estarão aptos a atuar em projetos de restauração ativa de recifes de coral na Baía de Todos-os-Santos.

Fotos: Ascom Projeto Mares

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