Ação do Projeto Mares reuniu cerca de 40 pessoas na Ilha de Itaparica e encontrou de copos e garrafas plásticas a espuma e parte de um sofá
Garrafas, copos, isqueiros, embalagens, pedaços de espuma e até o encosto de um sofá. Em poucas horas de trabalho, aproximadamente 165 quilos de resíduos foram retirados da praia de Mar Grande, na Ilha de Itaparica, durante uma ação realizada pelo Projeto Mares na manhã de sábado (19). O volume recolhido chama atenção, mas a variedade dos objetos encontrados conta outra parte da história: boa parte do material que acaba na areia e pode chegar ao mar está ligada ao consumo cotidiano e poderia ter recebido outra destinação.
Cerca de 40 pessoas, entre integrantes do projeto e voluntários, participaram do mutirão, realizado como parte da mobilização pelo World Cleanup Day, movimento internacional que reúne comunidades e organizações em ações de limpeza e conscientização sobre os resíduos. Todo o material retirado da praia foi encaminhado à coleta municipal.
A ação foi promovida pelo Projeto Mares, iniciativa da ONG Socioambientalista PRÓ-MAR em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental, e contou com apoio do Instituto Leme da Minha Vida, da Associação Amigos de Mar Grande e da Missão Praia Azul.
O mutirão também deu continuidade a um trabalho que já vem sendo realizado pelo projeto na região. Considerando as duas etapas do Projeto Mares, entre 2023 e 2024 e a atual, iniciada em março de 2026, mais de duas toneladas de resíduos já foram retiradas da faixa de praia e do fundo do mar em Vera Cruz, Itaparica e Salvador.
O lixo comum que termina no mar
Para quem participou da limpeza, o contato direto com os resíduos tornou mais visível um problema que muitas vezes passa despercebido no cotidiano. Maria Eduarda Naponuceno esteve pela primeira vez em uma ação desse tipo e saiu do mutirão com a percepção de que pequenas escolhas individuais se acumulam até se transformar em um problema ambiental de grandes proporções.

“Eu achei uma experiência maravilhosa e inspiradora porque, no final das contas, quando a gente coloca a mão na massa, percebe tudo que precisa fazer. E a gente precisa fazer muito. Então, eu pretendo participar outras vezes”, afirmou.
Entre os objetos encontrados, foram justamente os mais comuns que chamaram sua atenção. Não se tratava apenas de materiais associados a grandes atividades econômicas ou descartes excepcionais, mas de itens utilizados diariamente por moradores e visitantes.
“Aquele lixo do dia a dia a população poderia ter evitado. Não é lixo industrial, não é lixo hospitalar. É copo plástico, isqueiro, itens de uso pessoal. Então, eu acho que, se a população fosse um pouco mais consciente e descobrisse tudo que a gente pode fazer com pequenas atitudes, a gente não teria esse tipo de lixo em nossas praias, sendo direcionado ao mar”, avaliou.
O problema não termina quando o objeto desaparece da areia. Materiais abandonados na faixa costeira podem ser carregados pela maré e passar a circular no ambiente marinho, ampliando a dificuldade de retirada e os impactos sobre a região.
Coleta seletiva entra na discussão
Para Zé Pescador, coordenador-geral do Projeto Mares, retirar os resíduos é uma parte visível da ação, mas o objetivo também é envolver a comunidade na discussão sobre como evitar que esse material continue chegando às praias.
“A importância da campanha de hoje é gerar engajamento, mais participação comunitária e mostrar a importância de a gente manter o ambiente para a nossa qualidade de vida e para o desenvolvimento sustentável do lugar onde a gente vive”, afirmou.
A quantidade de plásticos encontrados levou o coordenador a chamar atenção também para a coleta seletiva. Segundo ele, vários dos materiais recolhidos poderiam ter seguido outro caminho antes de chegar à praia.
“A maioria dos materiais que a gente retira dessas ações poderia ter sido reciclada. É muita garrafa plástica, copo plástico. É importante mostrar para as pessoas que o descarte correto pode dar uma nova vida a esse material, enquanto jogar na praia aleatoriamente transforma isso em lixo”, explicou.

Zé Pescador defende que a mudança de comportamento precisa ser acompanhada por condições concretas para que moradores consigam separar e destinar corretamente os recicláveis. Isso passa, segundo ele, pelo fortalecimento de políticas públicas de coleta seletiva, educação ambiental e criação de pontos ou sistemas capazes de receber esses materiais.
A implantação poderia ocorrer gradualmente, começando por alguns bairros e avançando conforme a população se adapta. “É tudo um processo, mas é preciso começar. E aí acho que as coisas vão seguindo, as pessoas vão se educando, vão se acostumando e a natureza agradece”, concluiu.
A mobilização em Mar Grande antecedeu a data oficial do World Cleanup Day de 2026, celebrada em 20 de setembro. Desde 2024, o Dia Mundial da Limpeza integra o calendário de Dias Internacionais das Nações Unidas.






