Quatro velejadores, um barco e 2 mil quilômetros até Ilhabela

Antes da largada, antes das velas abertas e antes mesmo de tocar a água de Ilhabela, o desafio já começou.

Nas próximas semanas, um pequeno veleiro de apenas 24 pés deixará Salvador em direção ao litoral paulista para disputar a Semana Internacional de Vela de Ilhabela 2026, considerada a principal competição da modalidade no Brasil e uma das mais importantes da América Latina. O percurso não será feito pelo mar. O BIGA J24 seguirá por estrada, rebocado ao longo de mais de dois mil quilômetros, numa operação que exige planejamento, logística e uma boa dose de obstinação.

Por trás do projeto estão quatro velejadores baianos que decidiram transformar uma participação esportiva em uma verdadeira expedição. O empresário Adriano Quintella, proprietário do BIGA, convidou Wallace Wicks, Roberto Santiago e José Nigro para formar a tripulação que representará a Bahia na competição.

A história chama atenção justamente porque desafia a lógica dos grandes centros náuticos do país. Enquanto equipes do Sul e Sudeste chegam a Ilhabela com estruturas já consolidadas e proximidade geográfica, os baianos precisam vencer uma jornada que começa muito antes da primeira regata.

A escolha do J24 também não é por acaso. Criada nos Estados Unidos na década de 1970, a classe tornou-se uma das mais populares e competitivas do mundo. Conhecido pelo equilíbrio entre desempenho, estratégia e acessibilidade, o modelo reúne alguns dos campeonatos mais disputados da vela internacional e segue formando gerações de velejadores.

Adriano Quintella, Wallace Wicks, Roberto Santiago e José Nigro

Para Adriano Quintella, o projeto vai além do resultado esportivo.

“Estamos levando muito mais do que um barco para Ilhabela. Estamos levando um sonho, uma história e a coragem de viver uma aventura inesquecível. O BIGA representa a realização de um projeto construído com paixão, amizade e amor pela vela.”

A mesma visão é compartilhada por Wallace Wicks, que vê na iniciativa uma oportunidade de ampliar a visibilidade da vela produzida na Bahia.

“O BIGA representa a essência da vela raiz: amizade, estratégia, superação e paixão pelo mar. Mais do que disputar uma regata, queremos mostrar a força da vela baiana e inspirar outras pessoas a acreditarem nos seus sonhos.”

Durante toda a jornada, a equipe pretende registrar os bastidores da aventura em um diário de bordo digital. A ideia é mostrar desde a saída de Salvador, a viagem terrestre, a montagem da embarcação em Ilhabela, os treinos e os desafios enfrentados até a última regata.

O projeto também surge em um momento de fortalecimento das atividades ligadas ao mar na Bahia. Nos últimos anos, iniciativas voltadas à economia azul, ao turismo náutico e aos esportes de vela têm ampliado a discussão sobre o potencial da Baía de Todos-os-Santos como território de formação esportiva, geração de negócios e desenvolvimento de uma cultura marítima mais forte.

Nesse contexto, a participação do BIGA J24 ganha um significado que ultrapassa a competição. É uma equipe baiana ocupando espaço em um dos principais palcos da vela nacional e mostrando que as histórias mais interessantes do esporte nem sempre começam na linha de chegada. Algumas começam muito antes, ainda na garagem, na estrada e na disposição de seguir adiante quando o caminho parece longo demais.

Fotos: Ágatha Wicks – Ellas Eventos Náuticos

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