ACB recebe Antonio Lavareda para análise das eleições de 2026

Em encontro da ACB, LIDE Bahia e Política Livre em Salvador, cientista político discutiu polarização, economia, segurança e comportamento do eleitor

A polarização continua organizando boa parte da disputa política brasileira, mas não explica sozinha o voto que será depositado nas urnas em 2026. Economia, segurança pública, avaliação dos governos, rejeição aos candidatos e diferenças regionais entram nessa equação e podem ganhar importância em uma eleição que chega à reta final sob forte competição. Foi a partir dessa combinação de fatores que o cientista político Antonio Lavareda analisou o cenário eleitoral brasileiro durante encontro realizado na noite desta segunda-feira (21), em Salvador.

Convidado da Associação Comercial da Bahia (ACB), em parceria com o LIDE Bahia e o portal Política Livre, Lavareda apresentou sua leitura a empresários, políticos, jornalistas e representantes de diferentes setores reunidos no Palacete Tirachapéu. Especialista em pesquisa de opinião e comportamento eleitoral, ele partiu de uma perspectiva histórica para mostrar como mudou a configuração da disputa presidencial nas últimas décadas.

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Durante anos, PT e PSDB concentraram a principal divisão eleitoral do país. A partir de 2018, essa configuração foi alterada com a ascensão do bolsonarismo como principal força de oposição ao PT, reorganizando a polarização que voltou a marcar a eleição de 2022 e permanece como elemento relevante em 2026.

A leitura apresentada por Lavareda, no entanto, chama atenção para algo que vai além da divisão entre campos políticos: uma eleição nacional é construída voto a voto em territórios com comportamentos muito diferentes. Uma vantagem obtida por determinado candidato em um estado pode ser reduzida pelo desempenho do adversário em outra parte do país.

“A campanha, uma campanha nacional, é uma batalha pelo eleitor onde ele estiver, independente da sua região”, afirmou.

Essa característica ajuda a explicar por que o desempenho regional ganha importância numa disputa presidencial competitiva. O resultado nacional não depende apenas de onde cada candidatura é tradicionalmente mais forte, mas da capacidade de ampliar margens, reduzir desvantagens e conquistar votos em diferentes estados.

Economia e segurança pesam na decisão

Entre os fatores que podem influenciar a escolha do eleitor, Lavareda chamou atenção para a economia, especialmente para questões que chegam diretamente à vida cotidiana, como emprego, inflação, custo de vida e juros. Segurança pública também aparece entre os temas relevantes para compreender o comportamento eleitoral.

Em entrevista concedida antes do encontro, o cientista político já havia destacado que a percepção sobre economia, saúde e segurança, a avaliação do governo, a rejeição aos candidatos e as expectativas em relação ao futuro são elementos importantes para interpretar a formação do voto. Para Lavareda, identidade política e emoções também interferem na maneira como o eleitor processa essas questões.

Isso significa que o mesmo indicador econômico ou problema de segurança pode ser interpretado de maneiras diferentes por eleitores com identidades políticas distintas. A polarização, nessa leitura, não atua apenas na escolha entre candidatos. Ela também influencia a percepção que diferentes grupos têm da realidade.

A discussão acontece a poucos dias do primeiro turno das eleições de 2026, em um ambiente no qual levantamentos nacionais vêm registrando uma disputa presidencial apertada, embora os resultados variem de acordo com instituto, metodologia, período de campo e população pesquisada.

Política chega rapidamente às empresas

Para a presidente da Associação Comercial da Bahia, Isabela Suarez, levar o debate eleitoral para uma entidade empresarial parte do entendimento de que decisões políticas produzem efeitos diretos sobre a atividade econômica.

“As questões políticas impactam muito rápido na vida das empresas, interferem na economia, interferem no crédito, interferem no consumo, que acaba interferindo na forma como a sociedade funciona e se comporta”, afirmou.

Isabela também destacou o caráter apartidário da ACB diante de um público formado por representantes de diferentes setores e correntes políticas. “A nossa bicentenária casa não faz parte de grupo político, somos apartidários. Nosso único partido é o partido do empresariado baiano”, disse.

Representando o LIDE Bahia, Mário Dantas destacou o interesse do setor empresarial por análises que permitam compreender o ambiente político e seus possíveis desdobramentos. Já Raul Monteiro, editor do Política Livre, chamou atenção para a aproximação entre a ACB e os veículos de comunicação baianos, com a participação da imprensa não apenas na cobertura, mas também na construção de iniciativas de debate.

O jantar integrou o Diálogos que Transformam, agenda da Associação Comercial da Bahia dedicada a encontros sobre questões econômicas, institucionais e políticas. Em edições anteriores de 2026, o projeto recebeu, entre outros convidados, o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman.

A arrecadação dos encontros é destinada às obras de restauração do teto do Palácio da Associação Comercial da Bahia, no Comércio.

Ao colocar empresários, imprensa e lideranças diante de uma leitura histórica das eleições, o encontro trouxe para a discussão uma questão que interessa diretamente ao ambiente de negócios: num país politicamente dividido, compreender o eleitor também significa tentar compreender quais temas terão maior peso na agenda econômica e pública depois das urnas.

Fotos: Sidney Haack

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