Boias do Porto da Barra já estão instaladas; veja como ficou

Projeto-piloto de R$ 450 mil cria perímetro de 90 metros para banhistas e combina balizamento no mar com videomonitoramento

O novo desenho do mar no Porto da Barra está pronto. A Prefeitura de Salvador concluiu, na tarde desta sexta-feira (4), a instalação das boias que passam a separar a área destinada aos banhistas da circulação de embarcações motorizadas. Com o fim dos trabalhos iniciados no começo da semana, o perímetro de proteção de 90 metros a partir da faixa de areia já está demarcado e muda, na prática, a convivência entre banho, navegação e esportes náuticos em uma das praias mais frequentadas da cidade.

O sistema é formado por boias amarelas fixadas em cinco poitas e recebeu investimento de R$ 450 mil, valor que contempla aquisição dos equipamentos, transporte, instalação das estruturas e sinalização. O projeto-piloto, coordenado pela Secretaria Especial do Mar (Semar), foi aprovado pela Marinha do Brasil e estabelece uma regra visualmente simples para quem frequenta o Porto: dentro da área delimitada, embarcações motorizadas não podem circular.

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Programa Vida Nova da Prefeitura de Salvador

Isso não significa, porém, retirar do Porto da Barra a atividade náutica que faz parte de sua rotina. O projeto manteve livre um trecho em frente à rampa próxima ao Forte de Santa Maria, garantindo passagem para pequenas embarcações e canoas e preservando o acesso de praticantes de caiaque, canoa havaiana e natação em águas abertas. A configuração também considera que dali partem atividades e travessias marítimas, entre elas a Salvador-Itaparica.

Segundo a secretária especial do Mar, Duda Lomanto, a abertura não foi definida apenas pela necessidade de manter essas atividades. O desenho levou em consideração as próprias condições do mar naquele trecho, onde há pedras e corrente próximas à rampa. “O espaço sem boias foi calculado para ter acesso de segurança”, explicou. Para a gestora, a delimitação aproxima o Porto da Barra de modelos de proteção adotados em praias com grande circulação de visitantes no Brasil e no exterior.

Uma fronteira que agora pode ser vista

A importância das boias está justamente em tornar visível uma divisão que nem sempre era clara no cotidiano da praia. Em dias de grande movimento, nadadores, crianças, famílias, canoas e embarcações motorizadas acabam compartilhando uma faixa de mar relativamente pequena. A aproximação de motos aquáticas da areia, em especial, vinha aumentando a preocupação com a segurança de quem estava dentro d’água.

Essa preocupação ganhou dimensão após acidentes envolvendo motos aquáticas em praias de Salvador. Em dezembro de 2025, um empresário morreu e uma mulher ficou gravemente ferida depois que a moto aquática em que estavam atingiu um barco de pesca na Ribeira. Meses antes, em agosto, uma banhista havia sido atropelada por uma moto aquática na Boa Viagem. No próprio Porto da Barra, frequentadores também já haviam relatado situações de risco provocadas pela circulação de embarcações muito próximas da área de banho.

É nesse ponto que o balizamento deixa de ser apenas uma intervenção física na paisagem. Ao estabelecer onde termina a área das embarcações motorizadas e onde começa o espaço protegido para banho, o sistema cria uma referência objetiva tanto para quem navega quanto para quem entra no mar. A Prefeitura pede que os condutores não ultrapassem a delimitação e orienta os banhistas a não se pendurarem nas boias.

Boias na água e câmeras acompanhando o mar

A proteção também ganhou uma segunda camada que não é tão visível para quem está na areia. O Porto da Barra passou a contar com um sistema de videomonitoramento marítimo integrado entre a Guarda Civil Municipal e a Capitania dos Portos, tornando-se a primeira praia de Salvador a operar com essa estrutura.

Câmeras de alta resolução acompanham o espelho d’água e permitem registrar a entrada de motos aquáticas no perímetro reservado aos banhistas. As imagens são captadas pelo Centro de Comando de Operações (CCO) e podem ser compartilhadas com a Capitania dos Portos, o que associa a delimitação física das boias a uma ferramenta de fiscalização.

Segundo o inspetor-geral da Guarda Civil Municipal, Marcelo Silva, a aproximação excessiva das embarcações era especialmente perceptível nos fins de semana, quando o Porto recebe um número maior de frequentadores. “As embarcações chegam muito próximo da areia. As crianças ficam tendo acesso e pulando delas, em uma situação de risco de acidente e afogamento”, afirmou.

O ordenamento alcançou ainda as rampas de acesso à praia. Uma delas foi reservada aos pedestres e outra às embarcações, com previsão de placas para orientar os diferentes fluxos. O trecho destinado à navegação coincide justamente com a abertura deixada entre as boias, permitindo que pescadores, pequenas embarcações e praticantes de esportes náuticos continuem chegando ao mar sem atravessar a área protegida.

A conclusão da instalação inaugura agora a parte mais importante do projeto: ver como essa nova divisão funcionará quando o Porto da Barra estiver cheio. Em uma praia onde lazer, pesca, natação, canoagem e navegação convivem diariamente, as boias não eliminam essa diversidade de usos, mas estabelecem uma fronteira que antes não estava tão evidente. O resultado esperado é um mar mais organizado, no qual continuar praticando esportes e navegar seja possível sem disputar o mesmo espaço com quem só quer entrar na água para tomar banho.

Fotos: Igor Santos/ SECOM PMS

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