Enquanto em boa parte do Brasil é preciso embarcar para avistar baleias, em Salvador basta caminhar até o Farol da Barra. A partir desta quarta-feira (15), a capital baiana volta a oferecer uma das experiências mais singulares do turismo de natureza no país: observar baleias jubarte diretamente da orla, em plena entrada da Baía de Todos-os-Santos. A temporada 2026 marca a reabertura do tradicional Ponto Fixo de Observação do Projeto Baleia Jubarte, instalado no Museu Náutico da Bahia.
Entre julho e outubro, centenas de jubartes passam pelo litoral baiano durante a migração anual em busca das águas mais quentes para reprodução e nascimento dos filhotes. Graças à localização privilegiada do Farol da Barra, o público consegue acompanhar parte desse espetáculo natural sem precisar sair da cidade.
O espaço funcionará diariamente, das 9h às 17h30, reunindo pesquisadores e estagiários do Projeto Baleia Jubarte, em parceria com a Marinha do Brasil. Durante todo o período, visitantes poderão utilizar binóculos disponibilizados pela equipe para acompanhar os avistamentos e conhecer mais sobre o comportamento das baleias e de outros cetáceos que cruzam a costa baiana.
Segundo o coordenador-geral da Base Salvador do Projeto Baleia Jubarte, Gustavo Rodamilans, basta adquirir o ingresso do Museu Náutico da Bahia para participar da experiência.
“O público pode participar das atividades adquirindo apenas o ingresso de entrada. A partir daí, não há custo adicional para visitar a exposição ou acompanhar o monitoramento junto com a nossa equipe, utilizando os binóculos disponibilizados para observar e procurar as baleias no mar”, afirma.

Além da observação em tempo real, o museu recebe até 11 de outubro a exposição “Salvador das Baleias”, que apresenta a relação histórica da capital baiana com esses gigantes do oceano. A mostra percorre desde o período da caça às baleias na época colonial até os atuais esforços de conservação, pesquisa científica e turismo responsável.
Para Rodamilans, a exposição amplia a experiência de quem visita o espaço.
“É uma verdadeira imersão no universo das baleias. Quem visita o Museu Náutico já tem acesso ao acervo histórico, ao Farol da Barra e, como complemento, à exposição temporária, que integra a temporada.”
Números que mostram o potencial da temporada
Os resultados da edição anterior ajudam a dimensionar o interesse crescente pelo tema. Em 2025, o Projeto Baleia Jubarte registrou cerca de 1,4 mil avistamentos de jubartes a partir do Farol da Barra. No mesmo período, mais de 80 mil pessoas visitaram a exposição “Salvador das Baleias”, enquanto 10 mil visitantes participaram das observações acompanhadas pelos pesquisadores. As ações educativas também alcançaram 103 escolas.
A expectativa para este ano é ampliar esses números e fortalecer o trabalho de sensibilização ambiental.
“A ideia é seguir promovendo a conservação marinha, utilizando a baleia como espécie guarda-chuva para sensibilizar o público sobre a importância da proteção dos oceanos”, destaca Rodamilans.
Turismo, ciência e Economia do Mar
Além do valor ambiental, a temporada reforça uma vocação cada vez mais estratégica para Salvador: o turismo de natureza associado à Economia do Mar. A observação de baleias movimenta visitantes, amplia o calendário turístico durante o inverno e fortalece atividades ligadas à pesquisa científica, educação ambiental e turismo náutico.
Para o secretário municipal de Cultura e Turismo, Alexandre Reis, o período amplia a atratividade da cidade.
“O início da temporada de baleias é um dos momentos mais simbólicos do calendário turístico de Salvador. A natureza nos presenteia com um espetáculo único, que amplia o tempo de permanência dos turistas, movimenta a economia e reforça Salvador como um destino que reúne patrimônio histórico, cultura, gastronomia e uma das maiores riquezas naturais do planeta.”
A secretária municipal do Mar, Maria Eduarda Lomanto, destaca que a iniciativa também aproxima a população do oceano.
“A temporada fortalece atividades como o turismo náutico e a observação responsável da vida marinha, ao mesmo tempo em que amplia a consciência sobre a necessidade de preservar nossos ecossistemas. É uma oportunidade de mostrar que desenvolvimento econômico e conservação ambiental podem caminhar juntos.”
Há mais de 35 anos, o Projeto Baleia Jubarte desenvolve pesquisas científicas, programas de conservação, educação ambiental e incentivo ao turismo responsável. Além da base em Salvador, mantém unidades na Praia do Forte e em Caravelas, na Bahia, e também em Vitória (ES) e Ilhabela (SP).
A temporada reafirma um privilégio que poucas cidades costeiras do mundo possuem: acompanhar um dos maiores espetáculos da vida marinha sem deixar o ambiente urbano. Em Salvador, a janela para o Atlântico também se transforma, todos os anos, em um observatório da biodiversidade da Baía de Todos-os-Santos.
Imagens: Enrico Marcovaldi





