Isabela Suarez faz história na Lavagem do Bonfim

A Lavagem das Escadarias da Basílica do Senhor do Bonfim reuniu milhares de pessoas nas ruas de Salvador nesta quinta-feira (15), reafirmando a força de uma das tradições mais consistentes do calendário religioso e cultural da cidade. Entre baianos e turistas, o cortejo deste ano ganhou uma camada adicional de significado com a atuação de Isabela Suarez como juíza dos festejos.

Presidente da Associação Comercial da Bahia, empresária e advogada, Isabela ocupou um posto historicamente associado a lideranças masculinas da vida pública baiana. Sua presença não alterou o rito, mas atualizou o símbolo, ampliando a leitura da tradição sem deslocá-la do lugar que sempre teve na cidade.

Ao longo da celebração, Isabela exerceu o papel de representação institucional da festa, aproximando a Irmandade do Bonfim, a sociedade civil e setores produtivos que, desde o século XVIII, orbitam em torno da própria formação de Salvador. A função de juíza carrega esse peso histórico e, segundo ela, também uma dimensão de responsabilidade simbólica. “Ser juíza da Festa do Nosso Senhor do Bonfim é assumir um papel de honra, representação e cuidado simbólico com uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais da Bahia. Só gratidão por toda a caminhada que me trouxe até aqui”, afirmou.

A relação de Isabela com o Senhor do Bonfim atravessa o campo institucional e chega à esfera pessoal. Memórias familiares e episódios marcantes ajudam a explicar a naturalidade com que ela ocupa o cargo. “Minha filha nasceu no dia da Lavagem e meu filho no dia em que celebramos a chegada da imagem do Senhor do Bonfim em terras baianas”, contou.

Ela também relembrou um episódio envolvendo o avô materno, que reforçou sua devoção. “Ele sofreu um acidente e desenvolveu esclerose precoce. Apesar de ter se recuperado fisicamente, passou a se perder pelas ruas de Salvador. E todas as vezes em que era encontrado, estava usando uma camisa com a imagem do Senhor do Bonfim. Isso me faz acreditar que não é apenas coincidência, mas um sinal de proteção”, disse.

Durante a procissão, o Palácio da Associação Comercial da Bahia, localizado no trajeto do cortejo, foi abençoado pelo reitor da Basílica do Senhor do Bonfim, padre Édson Menezes. O gesto reforçou a ligação histórica entre a entidade, a cidade e os festejos religiosos, conectando fé, vida pública e atividade econômica.

À frente da mais antiga entidade empresarial do Brasil, Isabela Suarez leva para a Lavagem do Bonfim uma leitura contemporânea de liderança. Sem romper com a tradição, mas reposicionando quem ocupa o espaço. Em um rito sustentado pela repetição, sua presença aponta para um movimento silencioso de ampliação da participação feminina em funções de representação histórica na Bahia.

A Lavagem seguiu seu curso entre água, flores e cânticos. O Bonfim, mais uma vez, reuniu a cidade inteira e mostrou que tradição também se constrói no presente.

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