Portos, turismo, patrimônio, comunidades e meio ambiente dividem o mesmo território. Summit Economia Azul coloca esses interesses na mesma mesa.
Há poucos lugares no Brasil onde tantas agendas diferentes se cruzam diariamente. A Baía de Todos-os-Santos movimenta cargas, recebe navios de cruzeiro, abastece cadeias industriais, sustenta comunidades pesqueiras, abriga ilhas, fortalezas, áreas de preservação e um patrimônio histórico que atravessa séculos. Tudo isso acontece sobre a mesma lâmina d’água.
A pergunta deixou de ser apenas como explorar esse potencial. O desafio agora é outro: como fazer essas atividades crescerem sem que uma avance sobre a outra?
Essa discussão será um dos pontos centrais do Summit Economia Azul, nos dias 18 e 19 de agosto, no Porto de Salvador. O painel “ESG da Baía de Todos-os-Santos: comunidades e patrimônio histórico” foi concebido para reunir atores que normalmente participam desse debate por perspectivas diferentes, mas compartilham o mesmo território.
Na mesma conversa estarão representantes da conservação marinha, da atividade portuária, do turismo e do setor privado. Participam Marcelo Bastos, fundador do Projeto Içar; Adriana Muniz, do Village Itaparica; Loyola Neto, da DuMar; e Adriana Medeiros, da Wilson Sons.
Não por acaso, a escolha da Baía de Todos-os-Santos ocupa espaço de destaque na programação do Summit. O território concentra algumas das maiores oportunidades da chamada Economia Azul brasileira, mas também expõe os desafios de qualquer região costeira onde desenvolvimento econômico, patrimônio cultural e conservação ambiental caminham lado a lado.
Para Renata Malaquias, diretora de Relações Públicas do Summit Economia Azul, a construção desse diálogo passa por reconhecer que nenhuma solução será eficiente se considerar apenas um dos lados da equação.
“Quando discutimos a Baía de Todos-os-Santos, falamos ao mesmo tempo de atividade portuária, comunidades tradicionais, patrimônio histórico, turismo, ciência e conservação ambiental. São temas que se encontram diariamente e que precisam ser tratados de forma integrada.”
A proposta do painel não é apresentar respostas prontas. A expectativa é aproximar setores que historicamente dialogam pouco entre si e estimular uma agenda comum para um território que influencia diretamente a economia, a identidade e a qualidade ambiental da Bahia.
Enquanto outras regiões do país ainda discutem como inserir a Economia Azul em suas estratégias de desenvolvimento, a Bahia parte de uma realidade diferente: já possui um dos maiores ativos marítimos do Brasil. A questão que passa a orientar o debate não é mais o potencial da Baía de Todos-os-Santos, mas o modelo de desenvolvimento que será construído sobre ela.





