Área histórica de Salvador teve traçado preservado, monumentos restaurados e ganhou nova conexão acessível com o teatro; intervenção integra investimento de R$ 28,6 milhões no complexo
Um dos jardins mais antigos de Salvador voltou a cumprir uma função que havia perdido com os anos: ser lugar de passagem, encontro e contemplação. A recuperação do Passeio Público, entregue junto à reabertura do Teatro Vila Velha, devolveu à cidade um espaço criado em 1810 e ainda estabeleceu uma nova conexão entre cultura, patrimônio e a paisagem da Baía de Todos-os-Santos.
A intervenção integra os R$ 28,6 milhões investidos pela Prefeitura na revitalização do complexo do Vila Velha. Desse total, R$ 14,6 milhões correspondem às obras físicas que alcançaram tanto o teatro quanto o Passeio Público.
Antes da recuperação, uma parte da área histórica havia se transformado em estacionamento e apresentava canteiros, monumentos, fonte, mirante e estatuetas deteriorados. Por estar no entorno de um bem tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), a intervenção preservou o traçado urbanístico original, seus caminhos e canteiros, além de aproveitar trechos de pavimentação em paralelo e pedra portuguesa.
O trabalho também restaurou monumentos, painéis, fonte, bancos e outros elementos históricos, além da pavimentação em granito e mármore do mirante voltado para a Baía de Todos-os-Santos. A iluminação foi refeita com pontos mais baixos, adequados à característica de jardim e espaço de convivência.
Do jardim direto para o Vila Velha
Uma das principais mudanças está na relação entre o Passeio Público e o Teatro Vila Velha. Uma nova passarela metálica passou a conectar diretamente os dois espaços, acompanhada de rampa com inclinação mais suave, elevador e escadarias.
A solução tenta resolver uma questão que não terminava na porta do teatro. “Não dá para ser acessível no teatro se o caminho até o teatro não for acessível. E agora é possível”, resume o diretor do Vila Velha, Márcio Meirelles.
O Passeio também recebeu faixas acessíveis. As vagas para automóveis dentro da área ficaram restritas a pessoas com deficiência ou dificuldade de locomoção, devolvendo ao pedestre um espaço que vinha sendo ocupado por veículos.
Para Tânia Scofield, presidente da Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), a transformação é especialmente significativa diante da situação encontrada antes das obras. “O Passeio estava abandonado, destruído e servindo de estacionamento”, afirmou.

Um jardim de 1810 de volta à cidade
A recuperação ganha outra dimensão quando se olha para a idade do lugar. O Passeio Público foi construído em 1810 como jardim da cidade, antes mesmo do Palácio da Aclamação, erguido posteriormente dentro da área.
Por décadas, foi endereço de convivência e contemplação em uma posição privilegiada de Salvador. O mirante sobre a Baía permanece como um de seus elementos mais marcantes e agora volta a integrar um espaço recuperado para circulação e permanência.
A reabertura do Vila Velha, portanto, acabou alcançando muito além de suas paredes. Teatro e jardim voltam conectados, e Salvador recupera um endereço histórico onde cultura, patrimônio e Baía de Todos-os-Santos podem novamente ser vistos no mesmo passeio.
Fotos: Igor Santos – SECOM PMS





