Salvador vai sediar, em outubro de 2027, uma das competições mais emblemáticas da vela oceânica mundial. A Mini Transat, regata que conecta a Europa à América do Sul numa travessia de milhares de milhas náuticas, escolheu a capital baiana como porto de chegada, encerrando um hiato de mais de uma década desde a última edição realizada aqui, em 2011.
O anúncio oficial aconteceu na última terça-feira (28), no Yacht Clube da Bahia, numa cerimônia que reuniu autoridades municipais e representantes da organização francesa da prova. O tom foi de celebração, mas também de planejamento. Não é todo dia que uma cidade brasileira entra no roteiro de uma competição oceânica com esse nível de reconhecimento internacional.
A prova parte de La Rochelle, na França, faz escala nas Ilhas Canárias e atravessa o Atlântico até Salvador. Um dos momentos mais simbólicos do percurso é a passagem pela linha do Equador, marco que os velejadores carregam como uma espécie de rito de iniciação. Serão aproximadamente 90 barcos e um séquito estimado em mais de 400 pessoas entre atletas, equipes de apoio, familiares e jornalistas, todos circulando pela cidade durante o período da regata.
O impacto econômico esperado gira em torno de R$ 20 milhões, com reflexo direto em hotelaria, gastronomia, serviços e comércio. Não é um número exagerado se considerarmos o histórico da prova. O presidente da organização, Antoine Grau, que acompanhou edições anteriores quando Salvador já foi sede, fala em uma média superior a quatro milhões de dólares gerados em movimentação econômica a cada realização do evento.
Para além dos números, a escolha diz algo sobre a cidade. Grau foi direto ao explicar os motivos da decisão: a experiência acumulada das edições entre 2000 e 2010, a qualidade do percurso e o crescimento da relevância internacional de Salvador nos últimos anos pesaram na balança. A passagem pelo Equador, geograficamente inevitável numa rota que chega ao Nordeste brasileiro, também transforma a cidade num destino com apelo quase cinematográfico para quem navega.

Do lado da prefeitura, a Mini Transat entra como peça de uma estratégia maior de desenvolvimento da chamada economia do mar. A Secretaria Municipal do Mar informou que o Terminal Náutico passará por reforma para receber a estrutura da regata, e que a cidade trabalha na consolidação de duas novas marinas, além da recuperação de píeres e atracadouros. A titular da pasta, Maria Eduarda Lomanto, lembrou que o setor náutico já representa 2,8% do PIB municipal, percentual que a gestão pretende ampliar nos próximos anos.
A vice-prefeita Ana Paula Matos aproveitou o lançamento para reforçar o que Salvador tem de diferencial nesse campo: a Baía de Todos-os-Santos, com sua navegabilidade privilegiada, e um ecossistema náutico que combina vocação histórica e investimento crescente. É um argumento difícil de refutar. Poucas cidades do país têm esse conjunto de atributos tão naturalmente disponíveis.
A Mini Transat 2027 ainda está no horizonte, mas o movimento que começa agora, de infraestrutura, posicionamento e visibilidade, já coloca Salvador de volta num circuito que a cidade nunca deveria ter abandonado.
Fotos: Jefferson Peixoto / Secom PMS