Nos quatro primeiros dias de festa, mais de 128 toneladas de materiais recicláveis foram recolhidas nos circuitos oficiais e em bairros integrados à programação. O número já aponta para um crescimento expressivo em relação ao ano passado e reforça o peso da economia circular dentro da maior festa de rua do país.
A ampliação dos pontos de coleta e a política de incentivo aos catadores autônomos mudaram o ritmo do trabalho na avenida. Para cada 15 quilos de plástico mole entregues, há bonificação. Na prática, isso significa mais renda no fim do dia. Sara Santana de Andrade, recicladora há quatro anos no Carnaval, afirma que a logística ficou mais ágil e o retorno financeiro mais atrativo. Segundo ela, a quantidade de centrais facilita a rotina e estimula a coleta de volumes maiores.
Os dados do primeiro dia de folia já indicaram a tendência de alta. Foram mais de 14 mil quilos recolhidos na quinta-feira, cerca de 40% acima do registrado no mesmo período de 2025. A expectativa da Secretaria de Sustentabilidade é fechar o Carnaval superando 170 toneladas de recicláveis.
O impacto vai além da limpeza urbana. A comercialização dos materiais já colocou mais de R$ 1 milhão em circulação, fortalecendo cooperativas e garantindo renda extra para centenas de trabalhadores. Para muitos catadores, o Carnaval representa a principal oportunidade financeira do ano, funcionando como um reforço que pode equivaler a vários salários acumulados.
A estrutura montada inclui 11 centrais de coleta distribuídas entre os circuitos Osmar e Dodô, além de novos pontos no Pelourinho e em Cajazeiras, ampliando a política de sustentabilidade para áreas fora do eixo tradicional da festa. Ao todo, oito Centrais de Reciclagem operam com apoio de cooperativas parceiras, responsáveis pela triagem, pesagem e comercialização dos resíduos.
Na unidade da Ladeira da Montanha, administrada pela Cooperes, cerca de 50 profissionais dão suporte aos catadores autônomos, oferecendo equipamentos de proteção e garantindo pagamento alinhado ao valor praticado pelas grandes empresas do setor. A lógica é simples: reconhecer o trabalho, dar estrutura e assegurar preço justo.
Outra frente que reforça a operação é o projeto Plástico é Vida – Catando na Avenida, que atua no recolhimento de resíduos plásticos após a passagem dos trios no circuito Dodô. A iniciativa funciona integrada à megaoperação de limpeza e amplia o volume destinado à reciclagem.
Os números dos primeiros dias indicam crescimento em relação a 2025 e apontam para um novo recorde na coleta de recicláveis. Se a média se mantiver, o Carnaval deste ano deve ultrapassar 170 toneladas destinadas à reciclagem.
Fotos: Fernando Peixoto/SECOM PMS