O Carnaval de Bairro deixou de ser apenas uma alternativa à folia do Centro e da orla. Em Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, a festa virou motor econômico. Com atrações levadas pelo Governo do Estado para dentro das comunidades, o público permaneceu na região e fez o dinheiro circular onde ele costuma fazer mais falta: no comércio local.
Edgard Sacramento precisou chamar reforço para dar conta da venda de pipoca. Sozinho, não conseguia atender a demanda. A cena se repetiu em diferentes pontos do bairro, onde ambulantes ampliaram mercadorias e estenderam jornada para aproveitar o fluxo intenso de moradores e visitantes.
A descentralização da programação mudou o perfil do público. Moradores de outras áreas do Subúrbio circularam por Paripe, ampliando o alcance dos pequenos negócios. Para a comerciante Leide Alves, a iniciativa trouxe mais do que clientes novos. Trouxe diversidade de público e sensação de segurança, impulsionada pelo reforço no policiamento. Resultado direto no caixa e tranquilidade para trabalhar.
Quem também sentiu a virada foi Priscila Santana, que aluga carrinhos infantis na praça. A rotina, que antes começava no fim da tarde, agora inicia às 14h e atravessa a noite. No último fim de semana, o faturamento triplicou. A presença constante de famílias ampliou a procura pelo serviço e consolidou o Carnaval como o período mais lucrativo do ano para o negócio.
Mototaxistas e motoristas por aplicativo registraram aumento significativo nas corridas, impulsionados pelo maior fluxo de pessoas nas ruas. Para Denilson de Souza, a conta fechou de forma positiva. Com mais demanda e deslocamentos curtos dentro do próprio bairro, o volume diário de viagens subiu.
Foto: Gabriel Moura/Estadão
Ao levar grandes atrações para os bairros, o Carnaval deixa de concentrar renda apenas nos circuitos tradicionais e passa a distribuir oportunidades. Para quem vive e trabalha no Subúrbio, a festa foi estratégia que gerou renda, movimentou negócios e fortaleceu a economia.