Nova etapa do Recife das Pinaúnas mobiliza estudantes, comunidades e especialistas para recuperar manguezais em Salvador, São Francisco do Conde e Madre de Deus.
Poucos ecossistemas exercem um papel tão importante para a Baía de Todos-os-Santos quanto os manguezais. Eles funcionam como berçários naturais de peixes, crustáceos e moluscos, ajudam a proteger o litoral contra a erosão, armazenam grandes quantidades de carbono e garantem a subsistência de milhares de famílias que vivem da pesca e do marisco. Mesmo com essa relevância ambiental, seguem entre os ambientes mais pressionados pela ocupação desordenada, pelo descarte inadequado de resíduos e pela supressão da vegetação.
É nesse cenário que o Projeto Recife das Pinaúnas inicia uma nova etapa de atuação voltada às comunidades insulares da Baía de Todos-os-Santos. Patrocinada pela Acelen, a iniciativa expandirá suas ações para a Ilha de Maré, em Salvador, a Ilha do Paty, em São Francisco do Conde, e a Ilha de Maria Guarda, em Madre de Deus, combinando educação ambiental, restauração ecológica e participação comunitária.
Ao longo desta fase, a expectativa é plantar mil mudas de mangue, envolver diretamente cerca de 200 pessoas e formar uma nova geração de jovens comprometidos com a conservação dos ecossistemas costeiros.
O projeto será desenvolvido com estudantes do 5º e do 9º ano do ensino fundamental. Sob coordenação da educadora ambiental Deusdélia Andrade, as atividades incluem oficinas sobre a importância dos manguezais para a biodiversidade, impactos dos resíduos sólidos, desmatamento, períodos reprodutivos das espécies e produção de mudas destinadas à recuperação de áreas degradadas.
Depois da etapa em sala de aula, o conhecimento segue para o campo. Os estudantes participam do reconhecimento da fauna e da flora locais, mutirões de limpeza e plantios de mudas, acompanhando de perto o funcionamento de um dos ecossistemas mais importantes da costa brasileira.
Segundo Deusdélia Andrade, o objetivo é aproximar o aprendizado da realidade vivida pelas comunidades.
“Quando os estudantes conhecem a importância do manguezal e participam do plantio das mudas, eles passam a enxergar esse ambiente como parte da própria história e do futuro da comunidade. O nosso objetivo é despertar esse sentimento de pertencimento e formar jovens capazes de atuar como multiplicadores da conservação ambiental dentro e fora da escola.”
A programação também prevê a formação de 12 monitores ambientais, quatro turmas de estudantes, três palestras educativas e a produção de quatro vídeos documentais que registrarão as atividades realizadas nas comunidades participantes.
Para a gerente de Responsabilidade Social da Acelen, Ilka Danusa, apoiar iniciativas de conservação ambiental também significa fortalecer os territórios onde a empresa está presente.
“A Acelen tem o compromisso de apoiar iniciativas que gerem valor social e ambiental nos territórios onde está presente. O Recife das Pinaúnas traduz esse propósito ao promover educação ambiental, regeneração dos manguezais e estimular o protagonismo entre crianças, adolescentes e moradores das comunidades da Baía de Todos-os-Santos, valorizando os territórios tradicionais e incentivando a construção de um futuro mais sustentável para todos.”
A iniciativa dialoga diretamente com quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU: educação de qualidade (ODS 4), ação climática (ODS 13), vida na água (ODS 14) e vida terrestre (ODS 15), demonstrando como a recuperação dos manguezais produz benefícios que vão da conservação da biodiversidade ao enfrentamento das mudanças climáticas.
Resultados abriram caminho para a expansão
A chegada às ilhas é consequência dos resultados alcançados nas etapas anteriores do Recife das Pinaúnas. Em ações realizadas em Caípe, São Francisco do Conde, Madre de Deus e Passé, no município de Candeias, o projeto envolveu aproximadamente 400 pessoas, retirou 1.720 quilos de resíduos sólidos dos manguezais e realizou o plantio de 2.200 mudas destinadas à recuperação de áreas degradadas.
As atividades de mobilização também ultrapassaram o trabalho em campo. Os conteúdos produzidos pelo projeto alcançaram mais de 396 mil visualizações nas redes sociais, ampliando o debate sobre a importância dos manguezais para a biodiversidade, a pesca artesanal e a qualidade ambiental da Baía de Todos-os-Santos.
Agora, com a expansão para três comunidades insulares, o Recife das Pinaúnas amplia sua área de atuação e aposta na educação ambiental como uma ferramenta capaz de formar novos guardiões dos manguezais, fortalecendo a relação entre conhecimento, pertencimento e conservação em um dos territórios costeiros mais importantes do Brasil.
Imagem: Dakorô
