Desenvolvido na Bahia, equipamento voltado à praticagem coloca a inovação marítima no centro das discussões sobre segurança, tecnologia e novas carreiras ligadas ao mar
Quando se fala em inovação na economia do mar, o imaginário costuma navegar por embarcações autônomas, sistemas de navegação avançados ou grandes estruturas portuárias. Pouca gente percebe que algumas das transformações mais relevantes para o setor podem estar justamente nos equipamentos utilizados por quem enfrenta diariamente as condições mais desafiadoras da atividade marítima.
É nesse espaço que a DUMAR vem construindo seu protagonismo. A startup baiana apostou em um nicho altamente especializado da navegação: a praticagem. Trata-se de uma atividade essencial para a segurança do transporte marítimo mundial, responsável por assessorar comandantes durante manobras de entrada e saída de navios em portos, canais e áreas de navegação restrita.
Antes mesmo de chegar ao passadiço de um navio de grande porte, o prático já enfrenta uma das etapas mais delicadas da operação. O embarque ocorre em movimento, por meio de escadas de prático instaladas na lateral das embarcações, muitas vezes sob influência de vento, chuva, mar agitado, correntes e baixa visibilidade. Cada detalhe relacionado à segurança faz diferença. Observando essa realidade que a DUMAR direcionou seus esforços para o desenvolvimento de um equipamento concebido para atender às exigências específicas desse ambiente operacional. A iniciativa representa um avanço importante para um setor historicamente dependente de tecnologias desenvolvidas em grandes polos internacionais da indústria naval e offshore.
A proposta vai além da proteção convencional. O equipamento foi pensado para oferecer maior desempenho em situações que exigem mobilidade, resistência, ergonomia e adaptação às condições características do ambiente marítimo. Em uma atividade na qual segundos podem ser determinantes para a tomada de decisões, conforto e segurança deixam de ser atributos complementares e passam a integrar a própria eficiência operacional.
O surgimento de uma solução desenvolvida na Bahia também chama atenção por outro aspecto: a capacidade de transformar desafios locais em inovação aplicada. Poucos estados brasileiros reúnem uma relação tão intensa com o mar quanto a Bahia. A presença da Baía de Todos-os-Santos, a atividade portuária, o crescimento da náutica, o turismo embarcado e as perspectivas ligadas à Economia Azul criam um ambiente fértil para o desenvolvimento de tecnologias voltadas ao setor.
Essa movimentação acompanha uma tendência observada em diversos países. A evolução dos equipamentos de proteção individual tem incorporado conceitos ligados à engenharia de materiais, ergonomia, monitoramento, conectividade e inteligência aplicada à segurança. O objetivo é reduzir riscos, aumentar a eficiência das operações e proporcionar melhores condições de trabalho para profissionais que atuam em ambientes de alta complexidade.
A discussão sobre carreiras marítimas também ganha novos contornos. Tradicionalmente associadas à navegação, às operações portuárias ou à construção naval, essas profissões passam a dialogar cada vez mais com inovação, tecnologia e desenvolvimento de produtos. Em outras palavras, o futuro do setor não será construído apenas por quem navega, mas também por quem cria as ferramentas capazes de tornar a navegação mais segura, eficiente e sustentável.
Imagem: ilustrativa/divulgação
